19.4.17



🌷
A S A 
P R Ó P R I A,
V O O
C  O M P A R T I L H A D O 

Tempo de asas, de voar sem culpas e medos
Sonhar!!!
Levantar com o sol interior
Amanhecer-se todo dia
Inaugurar-se ao mesmo tempo em que descobre a natureza que nos criar e com a realidade que inventamos dia a dia.
Criar-se? Continuar-se?
Vai que vai... por aí, por aqui, por ali. Vamos?

"Enviado do meu mundo além do mu(n)do, não (i)mundo)"

5.5.15

Rosas

Ela disse-me que seria assim. Eu ri.
Ela falou-me das lágrimas. E eu ri.
E contou-me ela das distâncias incomensuráveis, das ausências irremediáveis. E eu, tolo, ainda ri-me.
E das saudades desmedidas dela eu, semente, ramo novo, folha sem flor, também ri.
E agora desabrochadas estas rosas do meu pranto, ela riso desabrido no leito eterno, suas pétalas perfumam os meus olhos. E eu rio com o roseiral que amanheceu em perfumes raros. Um rio de rosas cheirando às lágrimas a soar suspiros de saudades.

31.8.13

A reinvenção do amor - Alain Badiou


- Você [Alain Badiou] é um dos poucos filósofos contemporâneos que introduziu em sua reflexão algo único, quer dizer o amor. Você repete freqüentemente que é preciso reinventar o amor. Como se faz isso?

- O amor é um gesto muito forte porque significa que é necessário aceitar que a existência de outra pessoa se converta em nossa preocupação. Minha ideia sobre a reinvenção do amor quer dizer o seguinte: uma vez que o amor se refere a essa parte da humanidade que não está entregue à competição, à selvageria; uma vez que, em sua intimidade mais poderosa, o amor exige um tipo de confiança absoluta no outro; uma vez que vamos aceitar que esse outro esteja totalmente presente em nossa própria vida, que nossa vida esteja ligada de maneira interna a esse outro, pois bem, já que tudo isto é possível, isto nos prova que não é verdade que a competitividade, o ódio, a violência, a rivalidade e a separação sejam a lei do mundo. O amor está ameaçado pela sociedade contemporânea. Essa sociedade bem que gostaria de substituir o amor por um tipo de regime comercial de pura satisfação sexual, erótica, etc. Então, o amor deve ser reinventado para defendê-lo. O amor deve reafirmar seu valor de ruptura, seu valor de quase loucura, seu valor revolucionário como nunca o fez antes. Não se deve deixar que o amor seja domesticado pela sociedade atual - que sempre busca domesticá-lo-. Em outros tempos, as sociedades clericais e tradicionais buscaram domesticá-lo pelo matrimônio e a família. Hoje se busca domesticar o amor com uma mescla de pornografia livre e de contrato financeiro. Mas devemos preservar a potência subversiva do amor e afastá-lo dessas ameaças. E isso é extensivo a outras coisas: a arte também deve afastar-se da potência do mercado, a ciência igualmente. Ali onde há um pensamento humano ativo e desinteressado há um combate para libertá-lo dos interesses.


16.4.13

Homenagem (ou hino) ao amor

Meus pais eram sábios. E eles demonstraram isto de muitos modos.
Ela partiu no último 15 de fevereiro de modo natural tão espontâneo quanto é nascer.
Ele encantou-se há pouco e não mais chorará a ausência dela. Neste 15 de abril ele adentra as mansões da alma.
Sabedoria deles mostrou-se em atos cotidianos, de um para com o outro e conosco que os rodeamos. Fosse em silêncio, na dedica atenção, nos cuidados, acolhimento e na compreensão que ambos, cada qual à maneira pessoal, gentil e alegre ou com rigor prestaram a filhos, filhas, netas e netos, bisnetas e bisnetos e aos achegados.
Viveram casados e juntos por 68 anos. Exercitaram assim também a grande sabedoria deles.
No final da longa jornada, reconhecemos que mantiveram-se unidos e também aos familiares. Mais do que manter próximos os filhos a eles, fomos nós, os próprios, que tivemos o privilégio e a honra de compartilhar da existência plena deles. E de a eles dedicar a atenção e os cuidados para que a vida continuasse íntegra e alegre, apesar das dificuldades que são emprestadas com o avanço do tempo e idade.
As dores do viver são inevitáveis. E eles sabiam disto e nos ensinaram a resignada compreensão de que os ciclos de dias e noites contemplam o infinito. Que o sol, as estrelas e o horizonte à distância, inalcançáveis, estão presentes e são soberanos, na determinação de tempo e existência nossos. Dia e a noite a completar o ciclo do viver, sem interrupção, e esta é a única certeza de continuidade que podemos ter.
E não bastava viver e contemplar a passagem do tempo. Eles nos emprestavam olhos para que enxergássemos o horizonte à distância. Então era o instante em que nos falavam das perspectivas do viver, ou, diante das cores de flores, no jardim que sempre cultivaram, apontavam os milagres de uma existência mais bonita e melhor, para além do banal e opaco cotidiano de nossas lidas diárias. Teciam sua sabedoria em simplicidade, fosse ao fazer fio nas facas, amolar a navalha, a escanhoar a face, no prosear do crochê, ao café e à mesa sempre postos, a dedicação preciosíssima deles, sempre prontos a receber todos com palavras que tocavam sentidos e sentimentos.
Privilégio aprendermos que para ela entrar num carro, quem sempre abriria a porta era ele. Mesmo depois de 68 anos de convivência diária e incansavelmente compreensiva e carinhosa, isto se repetia, não um ato mecânico, mas deferência, respeito e delicadeza. A sabedoria revela-se na cumplicidade e parceria deles em longa existência, insistência, resistência que não os endureceu, mas lhes amaciou a voz das demandas, tornou-as acalantos. De certo, a sabedoria lhes veio de muitas fontes, em experiências e com as tantas vivências compartilhadas. Feita de laços, vínculos e a entrega que pareceram sempre sabedoria, requintes de uma existência plena de sinceridade e sem meias palavras, mas também calada e que sabia fazer calar diante do milagre da vida, justiça e alegria.
A sabedoria deles faz-nos compreender alianças, acordos, conversações, compromissos, continência, alimentos que nunca nos faltaram à mesa e nos protegem e ensinam
. Sabedoria que é, portanto, Grande Amor.

Minha gratidão, meu respeito e amor, Alice Monteiro e Antonio Rodrigues 

Amanhã ser


"A paixão passa em brancas nuvens", foi o que lera nas entrelinhas com os olhos navegantes, em nuvens, no céu.
Aprendeu tardiamente o zodíaco, horóscopo, previsões das meias paixões coloridas para os dias de chuva e sol.
Ele nunca andara com
 os pés no chão, tendo pés e cabeça de vento entre o corpo e pensamentos, cabeça nas nuvens, a olhar cego a luz, maravilhado com o brilho do sol.
E não viu o amor passar, lavar, cozinhar os seus dias em retalhos do tempo, quando amar era apenas um vago projeto, um plano, o futuro, um sentimento.
Ele, o ardor, o eu, anoitece mesmo sem jamais amadurecer.

24.3.13

Domingueira

Hoje não. Só amanhã. Hoje vou sentar à sombra, acompanhar com olhos vagos, feito abelhas, ver crescer a flor da laranjeira, do pêssego e saber segredos do vento. Hoje eu vou ficar com os pés descalçados, sozinhos, digo, minto, ficaremos eu e meus pés nus com as miudezas que fazem todo sentido, umbigo, olhos, as unhas dos polegares presos ao avental, 13 ovos, farinha, fermento e sal, forno de palavras e inventos para o outono que veio às janelas, colorir o dia de eu mesmo. Isto, fico hoje comigo e o mundo das proximidades que me fazem ir além, sair por ai sem cotpo, sem voz, palavra ou necessidade ou finalidade. Quem sabe eu vá ao encontro de manteigas, palhaços, risadas, entrarei no escuro da sala do cinema para não dizer olás, nem adeus. Os domingos deveriam vir mais, vir a cada dia,, todos os dias domingos em mim.

10.2.13

Estilhaço


Achei um caco solto sobre o tapete da biblioteca.

Busquei em toda parte o espaço vago de onde ele caíra. Encaixou-se-me no peito.

Nem eu sabia deste estilhaço, um caco perdido, agora encontrado.

Parte-se o coração dos vivos tantas vezes.

Sabia que ele funcionava trincado, mas não sem um pedaço.

27.12.12

Sofre por antecipação

*
Ninguém morre duas vezes!

Hora de respirar mais profundamente
E depois respirar e respirar de novo>
Sentir o ar entrar, preencher o vazio do peito.
Sentir o ar sair do corpo e ganhar o espaço.
E recomeçar uma e outra e mais outra vez.

Apenas respirar, sem nada pensar.
Apenas respirar.
Às vezes a vida parece muito complicada,
Às vezes viver é muito simples.
Mais calma nos momentos complexos para não apagar e a mente anular o que é o mais simples em ti mesmo.
Mais calma nos momentos simples para não apagar o que é complexo e a mente anular o que é o mais complexo em ti mesmo.

Ninguém morre duas vezes!



Mensagem ao amigo que hoje pensou ter passado pelo maior sofrimento na jornada dele, pensou que fosse além do que ele suportaria. Ele não morreu e também não matou em si as qualidades ou as possibilidades de solucionar os sofrimentos.
A mente engana-se.
A mente se espanta.
A mente esquece-se da inteligência.
A mente esquece-se da sabedoria do coração

A sabedoria surge no silêncio.