11.7.09

Olvidar!

*





Disse-me que estar aqui seria sem igual. Então eu vim! E disse-me que haveria de aqui presenciar a manifestação do incognoscível, na dança sutil de sopros, fluxos, nos movimentos e nos implacáveis limites de tempo e espaço. Contou-me com entusiasmo sobre o casamento alquímico, a dizer-me que o infinito em algum parte liga-se ao finito.
E houve luz para os meus olhos, que são sempre os olhos de um outro, para vir aqui. E o manancial secreto da luz fez-se nas janelas do nascer, a jorrar águas que lavam os meus dias. Transbordou a percepção e nos faz rir da parca compreensão nossa, de ser a sua imagem metáfora vazia, mas indelével.
Uma vida em imagens que se conta a si, ainda mais sutil que a forma ou a cor. Brota no campo ou território do imaginário, até mesmo enquanto é imagem, quimera, criada na imagem do zero, o céu, as nuvens, o espaço, o interstício: imagens do nosso vazio.
A beleza não está exclusivamente nas coisas, não está nas cores, nem nas formas delas, nem nas imagens. Os olhos entregam a visão da beleza em cada detalhe e instante seus mesmo: aos olhos, se assim lhes (a)paracem!
E houve o manacial da visão a jorrar em todas as direções estas alegrias que são o sol e as sombras, todas!
Almofariz e forja a trabalhar, ruidosos e inquietos os olhos materlaram até que a imagem, sob o fogo dos nossos anseios, no passeio desses sobre a pele das coisas, reinventou a ventura da luz, emprestou a elas a vida que há em nós, em laços, nos vínculos que criamos com as coisas que nos tocam. Isso se elas nos tocam!





*

23.3.09

pluma

*
Si, si!

Eu fui lá.

E há paraíso.
E não é ele artificial, nem real, mas é só paraíso.
E era Deus ausente.
Disseram-me que viajou,
sem data para o eterno retorno.
Deixou uns mapas desenhados nuns traços tão finos, tão sutis que não pude ver com os olhos de gente,
ao menos estes meus,
acostumados a grudar palavras ao que é tão só de olhar.

Os bichos, os petizes, quiçá, eles!
Poderão estes saber nas garatujas divinas setas que levam aos caminhos espontâneos
ao instante premente, a toda surpreza,
ao sorriso, este sim, o Grande Delírio
a nos restar diante e dentro
da beleza que é este mundo.
E sem as legendas,
que estão também em língua esquecida,
sobrou-me o espanto e algumas lágrimas,
sentindo o agradecimento por nada,
de ter estes meus olhos,
que ainda cansados,
puderam trazer pra você
este muído e distraído instante
feito de fotos das nuvens
plantadas nos caminhos dos céus.
*

Verdes os olhos da verdade

"o que é um espelho? Não existe a palavra espelho, só existem espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos (...) Quem olha um espelho, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade consiste em ele ser vazio, quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestígio da própria imagem- esse alguém então percebeu o seu mistério de coisa"

(Clarisse Lispector. Água Viva, p. 94)

ser em si!

*
Onde vou,
Onde sigo,
Eu assunto.
Se eu trafego,
Se eu destino,
Se eu rota e aurora,
Se eu boreal,
Se eu ali,
Se eu lá,
Se eu estou a ir,
Se eu deveras,
Se eu o mesmo,
Se eu estou
Se eu e você
Se eu além,
Se eu rumo
Se eu a esmo,
Ss eu vou
Se sempre
Se sempre será sem fim.
*

Diga-me cloWN quem

Diga-me com quem andas
e como andas
E te direi se vou contigo!!!

Você aprecia?:
A. ( ) etilismo noturno
A. 1. ( ) estilismo soturno
A. 1. a ( ) alcoolismo diuturno
A. 1. ah ( ) ah! ah! haverá!

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22.3.09

e eram eras

*
o fez-se o som
e o corpo do menino
arrastou
uns fluxos,
uns lances
e deu-se o móvil
fez-se a dança
no corpo dele
o chão
o ar
e era um ritmo
dois e a alegria,
mas era um corpo
e era um menino
e foi isto quase ali
e quase muito lindo

*

30.6.08

Filigranas de Rembrandt

*



Estive às voltas com filmes que não me agradaram.
No teatro, duas obras, ambas insignificantes... carentes de toda sorte de precisão: da luz à sombra. Eu tentei.
E vi esta tarde três ou quatro Rembrandts (1606-1669).
A semana redime-se aqui.

Tenho os olhos cheios da mais tênue luz a escorrer sobre tudo o que me toca.
Detive-me por horas, diante das poucas imagens. E senti necessidade de retornar a elas mais uma e outra vez.


A Holanda dele fascina.

Demorei-me tempo bastante diante das obras para saber a paixão.

As linhas ali se retorcem, contornam e vagueiam sobre a fibra do tecido. São voltas e, interrompendo-se, sofrem pulsões, forças. São filigranas de um mundo de desrazões e razões. Nôa há linhas a contornar as formas. Há luminescências que brotam do negro/escuro/claro amarelado e dourado. Escrituras de manchas na superfície da pele da pintura... Delicadezas de mãos do artista, enxugadas nas fibras de cada imagem; adivinha-se um fio de suor e genialidade ali.

Filigranas de Rembrandt fazem ver olhos escondidos nas imagens. É a pintura que me olha com olhares de um mundo em linhas de fuga, olhos esfumados e de intensas e profundas e distantes e próximas luzes esmaecidas. As transversais e as rotas de fuga, mundos em abismos, revolta, escarpas, penhasco.

Ílinx! Vertigem dos sentidos.

Philosopher in Meditation

Jogos de armar nos negros de fumo, nas graxas, no malsão carvão, nestas nuvens de cinzas.

Os amarelos abrazam para além das figuras, incendiam à bastança a secura que há lá; às vezes, num destes instantes, períodos em que o cotidiano se faz brazil. Brotam amarelos e ferrugens das terras ali, de onde não se suspeita infinitas paisagens de areias e pedras, aliás, que jamais se mostram nas obras que eu visitei. O amarelo delas é o deserto e a impessoalidade, um convite à intimidade, à penumbra, à alcova em Delft. Não haverá céu com luz amarelada e clara na Holanda? Haverá este sol de pintura que Rembandt contrói e faz tudo ressecar à luz dele? A pintura dele é lume.

Linha e plano em Rembrandt confundem a profundidade. Escorrem da realidade o óleo quente e a tela. Derretem-se as outras imagens. Não, não há nada ali de surreal. É mesmo o substrato do real, a melhor abstração sobre ele: o real inventado pela inteligência do pintor que se mão, que se obra. Presentifica e não mostra, não apresenta, mas faz existir. A profundidade está ali, no plano do tecido. E não existe profundidade.
Reinventam-se os meus olhos, a imaginar um mundo de sombras e luzes.
A pele desta pintura é mais funda, aprofunda a plana superfície das telas. Caleidoscópio!
Demasiado na pintura deste holandês não parece existir. Nem há calma. Nem tempestades. Quiçá, mistérios!

Reinvento e descrevo. Não, a pintura dele. Ela se basta e se ilustra, embora não se descreva. Presentifica-se, já disse. Quem se recria ali, diante dela, sou eu.

Artista engana.
Artista não finge ou vacila.
Precipita-se!
O desenho de Rembrandt refez um caminho para este meu dia.
O desenho dele, um pensar co'as mãos, pincéis e infinidades que possam haver nos olhos.

Evohé!



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24.6.08

Vis Motrix em Junho com o Imago Teatro de Animação

26.4.08

Bonecos que "respiram" em cena

Teatro Imago estréia temporada do espetáculo Vis MOtriX




Uma arte em que os atores emprestam sua respiração a objetos inanimados, uma arte em que bonecos feitos de espuma adquirem gestualidade, enternecendo o público com a expressão dos desejos e das emoções. Esta é a essência do espetáculo Vis MOtriX que o Teatro Imago estréia nesta quinta-feira (24), no Teatro Zaqueu de Mello, em Londrina, abrindo a temporada que vai se estender até outubro. No Vis MOtriX, os bonecos ganham movimentos humanos, mostram o quanto a poesia está presente nas cenas da vida que, pela magia do teatro, se transformam numa arte de encher os olhos. Bonecos que jogam bola, varrem, andam na corda-bamba, dançam e passeiam com guarda-chuvas são passaportes para o lirismo de uma linguagem única: a da animação, construída a partir de ações sincronizadas num trabalho que exige do elenco uma grande sintonia.

Baseado nas técnicas do Bunraku - teatro de animação japonês, sem falas, com narrativas musicais e manipulação de bonecos - o trabalho desenvolvido pelo Imago envolve vários desafios. Se no palco o público vê se desenrolar a ação das marionetes que, além de corpo, parecem ter alma, nos ensaios a atuação competente dos atores pode ser observada em ações que imprimem ao jogo cênico “vida aos bonecos”, uma vida que se alimenta do imaginário: tanto dos artistas quanto do público. São os atores, imperceptíveis no palco porque atuam em fundo escuro e vestidos de negro, que comandam as ações e as “emoções” dos bonecos, rindo ou entristecendo como se fossem seus próprios corpos em cena. Estas ações são transmitidas à platéia que, naturalmente, preenche a espetáculo com seu próprio repertório de conhecimento e sentimentos. Difícil é ficar indiferente à bagagem mágica que atinge quem está dentro e fora do palco.

Espetáculo: Vis MOtriX, com o Imago Teatro de Animação
Direção: Mauro Rodrigues
Local: Teatro Zaqueu de Mello (Av. Rio de Janeiro, 413, Londrina)
Sessões: quinta e sexta-feira (24 e 25), às 14h30, para alunos do Ensino Fundamental
Para o público e geral:

Sábado (26) às 20h

Domingo (27), às 20h30
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia), à venda no Shopping Royal Plaza, na loja Uzzi (2º andar)


Patrocínio: Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura e Rede Cidadania; INESUL

Apoio: Universidade Estadual de Londrina - Departamento de Música e Teatro - Centro Acadêmico de Artes Cênicas - Sanepar - Caco Serf-Service - Loja UZZI

21.3.08

Dia Internacional da Marionete e do Teatro de Bonecos


Grupo de teatro de bonecos estréia em abril e está fazendo parcerias para o desenvolvimento de um projeto didático-pedagógico


21 de março é o Dia Internacional do Teatro de Bonecos, um gênero lúdico que volta a florescer em Londrina a partir do trabalho do Imago Teatro de Animação, dirigido por Mauro Rodrigues.

O grupo vai fazer em abril a pré-estréia do espetáculo Vis MOtriX, permanecendo em cartaz no Teatro Zaqueu de Melo até outubro, com apresentações que acontecem uma vez por mês, de quinta a domingo.


O espetáculo Vis MOtriX, nome que é uma alusão à força motora ou animadora dos corpos, leva ao palco o encanto dos bonecos e o trabalho meticuloso com as marionetes criadas pelo próprio grupo, que nasceu de um trabalho desenvolvido por alunos do curso de Artes Cênicas da UEL, sob a supervisão e direção de Mauro Rodrigues.

O projeto tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura – PROMIC – e vai realizar parcerias com Instituições Educacionais, Secretaria de Educação e Cultura do Município, Rede da Cidadania e Vilas Culturais. Além das apresentações, o projeto foi concebido para que o grupo realize oficinas e jogos teatrais nas escolas públicas e privadas interessadas em trabalhar e ter contato com o “teatro vivo”.

Com uma agenda de apresentações já reservada para as escolas públicas durante a temporada, o grupo inicia na próxima segunda-feira (24 de de março) uma série de contatos com as escolas privadas na intenção de ampliar o circuito do espetáculo junto ao público, realizando ainda , com alunos e professores, um criterioso trabalho artístico e educacional que tem o teatro como ferramenta.

Segundo Mauro Rodrigues, a proposta didático-pedagógica é destinada a alunos que tem entre 7 e 17 anos do Ensino Fundamental e Médio. “Envolver a equipe escolar em projetos artísticos é uma maneira de estimular a circulação da produção cultural e oferecer um instrumento inteligente para a formação e a informação”, diz.

Escolas interessadas em participar do projeto podem contatar o grupo Imago Teatro de Animação pelo telefone 9136-6893 (Daniela). Visitas às escolas para apresentação do projeto e sugestão de parceria podem ser previamente agendadas.


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